No dia 23 de agosto, em São Paulo, vivi um dos momentos mais marcantes dos meus 20 anos de estrada na luta agarrada.
Depois de duas décadas registrando campeonatos, histórias e atletas, finalmente pisei no tatame mais importante do mundo para quem ama esse esporte: o ADCC.

Enquanto ajustava a câmera, não pude deixar de pensar em quem pavimentou esse caminho. Desde 1998, quando o Sheikh Tahnoon bin Zayed Al Nahyan criou esse torneio, tantos gigantes passaram por esses tatames — Marcelo Garcia, André Galvão, Gordon Ryan, Ricardo Arona, Kyra Gracie, Hannette Staack. Estar ali, no mesmo palco que esses nomes ajudaram a consagrar, foi como finalmente fazer parte de um capítulo que eu sempre admirei de longe.
Sempre ouvi dizer que o ADCC não é só um evento, é uma experiência. E agora posso confirmar: é muito mais do que isso. É um ambiente onde cada detalhe carrega emoção, onde a energia das arquibancadas vibra em sintonia com cada transição no tatame, onde cada vitória — ou derrota — parece ganhar um significado maior.
Por trás da lente, cada take parecia um presente. Eu tentava capturar não só a técnica, mas a alma daquele momento: os olhares tensos no aquecimento, o silêncio que precedia cada luta, os abraços sinceros ao final de cada combate.
E, no meio de tantas histórias, dois nomes me marcaram de forma especial: Gabriel Bastida e Nícolas “Marreta”. Esses dois atletas kids são um verdadeiro fenômeno. O que mais me impressionou foi vê-los competindo em duas, às vezes até três categorias diferentes — e conquistando o ouro em todas. A maturidade, a técnica e a determinação que eles demonstram em tão pouca idade são um sinal claro de que o futuro do grappling está em ótimas mãos. Bastida e Marreta não são apenas promessas — eles já são realidade, e estar ali para registrar esse momento foi um privilégio indescritível.
Voltei para casa com os cartões cheios, mas o que mais trouxe comigo não cabia em nenhum arquivo: a sensação de gratidão. Gratidão por finalmente viver esse momento, por entender que, mesmo depois de tantos anos de estrada, o ADCC ainda consegue fazer um veterano se sentir como um iniciante.
O ADCC não é apenas uma competição. Ele é um símbolo vivo de tudo o que o grappling representa: paixão, dedicação e evolução. E, naquele sábado, eu não estava apenas trabalhando. Eu estava vivendo um sonho e registrando, take a take, um pedacinho da história.



